Por: Flávio Lerner
Os políticos argentinos atacam novamente: depois de episódios como as mortes no Time Warp em Buenos Aires, no ano passado, que acarretaram em uma série de proibições severas a praticamente tudo que fosse “eletrônico” — até um show do Kraftwerk, que quase foi cancelado —, anunciaram a suspenção das festas em Mar del Plata. O decreto foi feito pelo intendente da cidade, Carlos Arroyo, com a mesma justificativa de sempre: proteger os jovens das drogas. Assim, diversas pessoas que se programaram para ver nomes como Above and Beyond, Solomun, Kolombo e nosso conterrâneo Fran Bortolossi, que estão marcados para tocar no Mute em Mar del Plata semana que vem, dia 22, seriam prejudicadas.
Nessa terça-feira, o Twitter da prefeitura anunciou que a medida “se baseia em preservar a saúde das pessoas em um ambiente em que se consomem muitas drogas e álcool”. A conta ainda justificou que “no sábado passado foram detidas 58 pessoas por tráfico de drogas e quatro foram hospitalizadas”, e também que “pelo menos 60 festas clandestinas foram barradas nos últimos 50 dias”.
Em matéria do Clarín de ontem, porém, a situação se mostra ainda mais absurda: possivelmente por causa de uma série de reclamações de moradores de Mar del Plata e turistas — que já haviam comprado passagens e ingressos para muitas das festas que foram suspensas —, a prefeitura recuou e, na figura de seu secretário da saúde, Gustavo Blanco, soltou a pérola: “As festas não estão proibidas, mas não estão autorizadas”. Já prevendo a enxurrada de perguntas que a declaração geraria, Blanco não quis dar mais detalhes e apenas afirmou que o decreto seria firmado à tarde.
Até o momento desta publicação, não há novas informações, e ficamos com um grande ponto de interrogação no ar. Mas o cheiro é de que tudo vai ser como no episódio do Kraftwerk: anunciaram um cancelamento absurdo, gerou-se revolta e voltou-se atrás. Políticos sendo políticos: ensaboados, atrapalhados e sem a menor capacidade de lidar com a questão das drogas e da cultura de pista de dança. Até quando?
